Mercurial – Black Sea (2016)

Este é, sem dúvida, um dos discos mais incríveis que eu tive oportunidade de ouvir recentemente. Foram dias de bastante trabalho, quase numa fuga dos crescentes problemas. Mas foi em Mercurial que eu pude me deixar fluir para outras realidades.
Este não é o tipo de som que todos estão acostumados a ouvir ou gostar. Mas eu tenho grande apresso por bandas que pensam “fora da caixa”, especialmente no Metal. E aqui temos exatamente esse tipo de banda.

Descobrir o Black Sea realmente foi uma das melhores coisas que me aconteceram nestes últimos tempos. Cada acorde e cada soco musical que eles jogam são mesclados sempre com grandes passagens sonoras, formando uma grande paisagem que beira a perfeição…
…Naturalmente, uma perfeição de contrastes. Como quando olhamos para uma enorme tempestade à direita e um sol radiante à esquerda, com um arco-íris bem no meio. Raros artistas traduzem tão bem essa sensação, ainda mais com letras tão minimalistas e sagazes, tiradas do âmago de quem quer enfrentar o mundo, apesar dos grandes vagalhões da existência.
It brings me
“TABULA RASA” – Black Sea
New sources
Of Intensity!!!

Infelizmente, esse é um daqueles casos de bandas que você mal descobre e fica sabendo que já não existem mais. Entretanto, não posso deixar de agradecer dois sites que me trouxeram o legado do grande Black Sea.

Primeiramente, o agradecimento ao site Groundcast com essa incrível matéria que me apresentou o Black Sea e ainda contemplou outras bandas clássicas nesse estilo tão vanguardista.

Em segundo lugar, um agradecimento ao pessoal da Noisey, principalmente o Eduardo Ribeiro, produtor da matéria. Nessa bela matéria, podemos ter uma ideia do quanto a banda batalhou para pôr esse trabalho incrível aqui no Brasil, um país não muito afeito a esse estilo. Mas eles conseguiram e eu posso testemunhar isso!

Por fim, meus parabéns a incrível equipe da Sinewave Records. Este não é o primeiro trabalho que eu conheço deles e posso afirmar com tranquilidade que aí está um belo catálogo. Foram eles que tornaram isso possível.
Aí acima segue o link para esse disco no Bandcamp com todo o conteúdo lírico de cada música. Aqui abaixo segue o link do Spotify, para você conferir esse incrível disco, com bastante calma. A entrada pode ser difícil, mas eu te garanto que a estadia vale à pena! Aproveite.
Unexpected Austral Lights – Espera XIII (2015)

Sim… A arte é feita com amor, com paixão. Mas para onde ela nos leva… O destino é incerto. Mas, quando grandes artistas estão no comando do navio, é sempre um prazer singrar os mares rumo ao desconhecido.
Ter uma banda dessas no comando é uma experiência incrível. E tudo o que eu disse não vem por acaso. Os mares são o principal mote das músicas que encontramos aqui. É assim que embarcamos numa incrível jornada para descobrirmos…
…Descobrirmos o que, exatamente? Afinal, o mar é a própria vida e o que fazemos senão vivê-la, cada um com a sua própria visão, com suas próprias descobertas? Quem seria eu para dizer o que iremos descobrir? Apenas um mero viajante.

“Awed I’m going on
Waiting to an end
Heart will linger on
Alone this farewell“

Fica aqui o meu agradecimento ao conhecido site Whiplash por disponibilizar uma bela entrevista dirigida por Débora Brandão com os membros da banda, onde eles explicam um pouco melhor o transcendente conceito que está por trás das músicas.

Neste disco extremamente bem executado, a banda não quer a resposta. A banda quer a jornada, por cada acorde, por cada grito, por cada esforço. E, no fim, é a própria jornada que vale… Portanto matenha-se firme e entre no navio!
Protogoni Mavri Magiki Dynasteia – Mystifier (2019)

Este é o retorno ao Metal Obscuro. E que retrono! Nem eu fazia ideia de quanta saudade eu tinha desse tipo de som. Sei que não são todos os que costumam escutar, por isso o Mystifier é uma banda do underground, mas não é preciso andar muito por aí para ouvir uma menção ao nome desse projeto.
Com extremo talento musical, os membros do Mystifier aproveitaram aqui toda sua experiência musical para comporem um incrível quadro, que nos dão um caminho para trilhar no obscuro.
Não se deixe enganar pelos clichês que estão por aí sobre Heavy Metal e tudo mais… Não, o trabalho desses caras é bem sério e até usa alguns clichês, mas nada que não seja pelo estilo que eles amam e que procuram expandir com força e bastante lirismo.


As letras não versam pelo satanismo puro e descerebrado. E é uma honra encontrar uma banda capaz de tratar diversos temas com a maturidade de quem quer passar a alma humana (em seus vários matizes) pela música.
E foi graças a essa maturidade que eu pude entender vários conceitos, especialmente um bastante terrível da história do Oriente Médio: o chamado “Nakba”. Talvez você nem saiba o que é, mas, como o Mystifier não tem medo de explorar a complexidade humana, eles montaram o som acima1.
Open the gates!
“Soultrap S. of Vegeance” – MYSTIFIER
Soultrap Sorcery!
Depois disso, exalando brutalidade por todo o disco, este é um álbum que eu tive de repetir em minhas audições. Várias e várias vezes… Não sou daqueles que acham que há só trevas ou só luz… Nada disso. Há um mundo a ser explorado e é exatamente por trabalhos como este que o Heavy Metal continua sempre vivo, com muito orgulho!
Nesta primeira parte do Documentário acima, você pode conhecer melhor esta incrível banda nacional e entender toda essa trajetória de independência e luta pelos próprios sonhos. Nunca desista dos seus!
1 – E aqui acima temos o primeiro episódio de uma série de 3 explicando toda a complexidade do conflito entre Israel e Palestina no Oriente Médio. Assista e entenda melhor o que foi o chamado “Nakba”.
+trêsfaixas

Mais uma vez, trazemos as atualizações do canal do André Fricks. Eu tenho acompanhado pessoalmente esse grande irmão e sei o quanto ele tem se esforçado para entregar o melhor lá no canal dele. E você já pode conferir isso logo abaixo, essas duas grandes versões do Rock Nacional.
Primeiro, com a clássica música dos Titãs… Que sempre nos faz refletir bastante sobre os caminhos que tomamos em nossas vidas.
Em segundo lugar, temos a grande versão acústica para “Olhar 43”, esse som do RPM que ultrapassou as fronteiras do Brasil lá nos áureos anos 80. Confira esse grande trabalho do Andre e não se esqueça da inscrição.
+trêsfaixas


É praticamente impossível, mesmo não curtindo todas as músicas dele, não considerar Beck um dos grandes expoentes da música mundial.

Ainda antes da explosão da COVID-19, o cara estava cantando sobre dias onde nada acontece… Mas isso não é algo profético, nada disso. São os sintomas da era em que vivemos e há quem chame isso de “pós-modernidade“.

O fato é que estamos muitas vezes sozinhos… Somos átomos na sociedade… Mas Beck se vale da grande produção de Pharell Williams para entregar uma mescla de estilos eletrônicos e nos remeter a outra estética bastante atual: a retrowave.

Num clipe tão bem dirigido, podemos entender como a música e a imagem estão interligadas, provocando uma certa sinestesia nos nossos sentidos, mas também um deslocamento temporal… Estamos nos anos 80 ou em pleno século XXI?
Deixo a resposta para você, pois eu não tentei buscar uma (risos). Apenas me senti reconfortado neste tempo deslocado, nesse congelamento de dias “sem eventos”. Até a próxima!













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