Loki? – Arnaldo Baptista (1974)

Dentro de alguns momentos tudo irá explodir. Tudo. Nada restará. É certo. Não tenha a menor dúvida. O que deveria vir antes desta onda de chocante violência? Esta é a pergunta de todos os momentos. Esta é a questão que milhões e milhões de pessoas se fazem, mesmo sem saber. Este é o tipo de raciocínio que fica no fundo do cérebro, quando você pensa que tudo está calmo. Mas e a resposta, onde está?
Pois eis que não temos resposta. Por mais que você tenha pensado em algo, esta palavra precisa estar em ação. Pois há coisas que só fazem sentido quando velozes: assim como um carro de corrida, há coisas que só encontram seu sentido na ação inveterada até o fim dos tempos, sem nunca tocá-lo.

São palavras loucas? Sim, são. Mas nem tanto. É poesia barata de quem não quer pensar no que pode acontecer em meio a solidão de corpos voando pelo espaço. Coisa de quem não pode entender. E por não conseguir, tenta encaixar tudo no mundo das palavras. A verdade é que nós, escritores, somos fracos. Os músicos que são fortes, pois superam as pausas: entre um compasso e outro ganham sentido no movimento.
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Arnaldo Baptista é uma das incríveis mentes da música brasileira. Neste disco ele mistura muita coisa dentro de um rock sem guitarra, feito com tanta paixão que nem se sente a falta deste instrumento seminal.
Lançado em 1974, em meio à depressão e diversas dificuldades, “Loki?” é, até hoje, uma obra desafiadora e extremamente cativante, vinda do íntimo de quem estava sob chumbo, mas não queria se render.
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