Cantareira… (?)

É difícil entender a vida sozinho. Mas as trajetórias de figuras geniais pode ampliar nossos horizontes e adoçar o fel de cada dia. (13/12/2021 – Seg.)

Loki? – Arnaldo Baptista (1974)

Dentro de alguns momentos tudo irá explodir. Tudo. Nada restará. É certo. Não tenha a menor dúvida. O que deveria vir antes desta onda de chocante violência? Esta é a pergunta de todos os momentos. Esta é a questão que milhões e milhões de pessoas se fazem, mesmo sem saber. Este é o tipo de raciocínio que fica no fundo do cérebro, quando você pensa que tudo está calmo. Mas e a resposta, onde está?

Será Que Eu Vou Virar Bolor? – A. Baptista

Pois eis que não temos resposta. Por mais que você tenha pensado em algo, esta palavra precisa estar em ação. Pois há coisas que só fazem sentido quando velozes: assim como um carro de corrida, há coisas que só encontram seu sentido na ação inveterada até o fim dos tempos, sem nunca tocá-lo.

São palavras loucas? Sim, são. Mas nem tanto. É poesia barata de quem não quer pensar no que pode acontecer em meio a solidão de corpos voando pelo espaço. Coisa de quem não pode entender. E por não conseguir, tenta encaixar tudo no mundo das palavras. A verdade é que nós, escritores, somos fracos. Os músicos que são fortes, pois superam as pausas: entre um compasso e outro ganham sentido no movimento.

Não Estou Nem Aí – A. Baptista

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Arnaldo Baptista é uma das incríveis mentes da música brasileira. Neste disco ele mistura muita coisa dentro de um rock sem guitarra, feito com tanta paixão que nem se sente a falta deste instrumento seminal.
Lançado em 1974, em meio à depressão e diversas dificuldades, “Loki?” é, até hoje, uma obra desafiadora e extremamente cativante, vinda do íntimo de quem estava sob chumbo, mas não queria se render.

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