A 7ª Efervescência – Júpiter Maçã (1997)

Eis que eu estava passando por uma feira de livros, destas itinerárias na Baixada Fluminense, quando peguei, entre alguns livros, um papel amarelado, com algumas estrelas desenhadas. Eu, que gosto de observar o céu estrelado, tive a atenção chamada por aquele objeto. Ali estava um relato bastante claro de uma experiência extramundana. O autor (ou a autora) afirmava ter passado por aquela mesma feira. Agora, no momento em que eu lia a carta, ele deveria estar já bem longe, pela altura de Japeri.
O que alguém faria por lá? Discos voadores, eis a resposta. “Se você encontrou esta carta, é um felizardo. Eu sou o emissário do primeiro encontro entre os telurianos que surgirão dentro de alguns minutos. Todas as mudanças que tivemos foram ocasionadas por eles e eu te convido para ver mais do que eles podem fazer”.

A carta continuava: “[…] Vejo que, se chegou até este ponto, tem interesse no que digo. Portanto, encaminhe-se para Japeri se for sujeito de coragem. Se não, apenas olhe para o Cruzeiro do Sul ao crepúsculo e surpreenda-se!”. Pouco me importei com o que havia sido escrito ali e me questionei por que perder tanto tempo naquilo… mas eis que, agora, estou aterrorizado. Voltando para casa, no ônibus, vi um crepúsculo de céu sem estrelas. Elas demoraram uma hora para tomar seu lugar no céu noturno. Espero que os astrônomos tenham uma resposta para isso… ou estamos todos condenados.
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Júpiter Maçã (ou Apple) foi um dos artistas mais interessantes da música brasileira – inclusive, já mencionado aqui na tag. Toda sua carreira é bem elogiada, mas eu não conhecia. Agora, superando preconceitos anteriores, eu pude apreciar cada detalhe desta obra psicodélica.
“A Sétima Efervescência” foi um álbum lançado em 1997, contendo uma mistura de elementos que saem da Jovem Guarda e chegam no Pink Floyd de Syd Barrett sem qualquer problema. Tudo encaixado em letras chulas, bem-humoradas ou sem sentido. Mas, não se engane: é tudo calculado.
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