Especial: Massive Attack

Especial dedicado a um dos grandes nomes da música inglesa e mundial – (08/11/2025 – Sáb.).

O Caminho Que Faremos

Num mundo tão grande, temos, enquanto espécie, muitos problemas para resolver. Diversos desses problemas, nós mesmos criamos, é claro. Mas persistimos em resolvê-los, por mais que pareçam insolúveis.

A arte é uma forma de nos conectarmos a esta solução, à busca por algo melhor. E é curioso como, às vezes, em determinados artistas, parece que todo o mundo se encapsula. Todas as coisas parecem concorrer para um mesmo universo artístico.

Assim ocorreu com o grupo que analisaremos hoje. Originários na Bristol dos anos 80, os membros do que viria a ser o Massive Attack estavam imersos num mar de contradições da Inglaterra. Isto fomentou a criatividade deles e de toda a sua geração, com um resultado que não poderia ser outro que não um abalo sísmico no mundo das ondas sonoras.

Contra todos os problemas, esse som ecoa com uma forte mensagem de resistência diante de nossos próprios dilemas. E, se não traz todas as respostas, certamente, nos entrega as chaves certas.

Abramos, portanto, as portas de um outro universo sonoro!

“A escolha é real?”, questiona o Massive Attack, em apresentação recente.

As Sementes (The Wild Bunch – 80s)

Nos anos 1980, a Inglaterra enfrentava diversas de suas contradições. Os choques aplicados pelo governo de Margareth Tatcher (de 1979 a 1990) revelavam um lado mais reacionário do país ao mesmo tempo em que inflava a juventude insatisfeita e rebelde.

Esta rebeldia se espalhava em diversos aspectos. Entre imigrantes e marginalizados, protestos eram comuns, embora outros círculos mais privilegiados preferissem encarar os problemas com certa introspecção. Eventualmente, estes dois universos se chocariam, mas foi preciso construir pontes entre ambos os espaços.

Tal construção se iniciou justamente dos setores menos favorecidos. A cultura, para eles, não era apenas um meio de entretenimento, mas uma forma de sobreviver diante das dificuldades de um país historicamente poderoso e negligente.

Desta forma, cidades como Birmingham e Manchester desenvolveram suas formas culturais de representar o caldeirão de ideias que pairava entre a vanguarda das novas ideias. Uma destas cidades era Bristol. E seus habitantes encontrariam sua própria maneira de resistir. Unindo a diversidade da cultura trazida pelos imigrantes com diversos traços do experimentalismo artístico inglês, diversos grupos foram constituídos nas mais variadas áreas. Tais atos artísticos, contavam com um forte senso de coletividade, o que proporcionou o adubo necessário para uma efervescência sem precedentes na Inglaterra.

Dentre diversos nomes artísticos relevantes, escolhemos este em particular: The Wild Bunch. Formado em 1982, este coletivo de artistas se uniu para montar seus sistemas de som (sound systems), algo que nós, aqui do Brasil, conhecemos bem através da cultura dos bailes de funk e charme.

O panorama de Bristol era bastante diversificado, inspirando os membros do sistema de som a experimentar com diversos tipos de estilos, em suas festas e festivais. As influências iam da música negra americana, passavam pelo reggae e chegavam até as bandas de punk e pós-punk da época. Esse conjunto de ideias foi crucial para os integrantes do grupo, cujos principais nomes citamos abaixo:

Milo Johnson, conhecido como “DJ Milo”, (membro fundador, DJ)

  • Robert Del Naja, conhecido como “3D”
  • Grant Marshall, conhecido como “Daddy G”
  • Andrew Vowles, conhecido como “Mushroom”
  • Tricky, (participação)
  • Nellee Hooper Claude Williams, conhecido como “Willy Wee”

Dentre estes nomes seminais da cultura DJ na Inglaterra, deixamos em destaque os membros que viriam a formar, na década de 90, o projeto que exploraremos aqui.

The Wild Bunch.

Por enquanto, ainda estamos nos anos 80, mais precisamente, em 1985. Aqui, podemos notar que o coletivo artístico passa a ir numa direção mais autoral, lançando o single de enorme sucesso “Tearin Down The Avenue”. Já no ano seguinte, eles estavam em preparação para uma tour no Japão.

Tearing Down The Avenue – Massive Attack

A trajetória de ascensão, entretanto, estava em contraste justamente com as rotinas de cada membro. Entre necessidades de trabalho e discordâncias criativas, o coletivo encontrou dificuldades para se manter unido. Ainda assim, lançaram um EP importante em 1998, intitulado “Friends & Countrymen”, e participou de disputas de som (“sound clashes”, em inglês) com outros nomes relevantes da época – como o Soul II Soul, bastante conhecido aqui no Brasil pelo seu hit “Back II Life”.

Friends And Countrymen – The Wild Bunch

Nos versos finais de “Friends And Countrymen”, podemos observar a seguinte estrofe:

Com esta canção, temos uma noção do trabalho mais voltado para o Hip-Hop que o grupo produzia. Versos sobre consciência social, com respeito às origens étnicas e ideais carregados de solidariedade com outras nações ajudam a marcar o legado do Wild Bunch.

Um grupo que lançou as bases para modificar o cenário musical inglês e auxiliar a propagar a paz entre os oprimidos na resistência contra os opressores. Em fins de 1988, o grupo já não existiria. Mas, novas forças (prenunciadas nesta última canção) irromperiam de seu imenso legado. E o mundo não teria como evitar o som dos subúrbios atacando suas mentes.

Inevitável (Blue Lines – 1991)

Any Love – Massive Attack

No ano de 1988, o Massive Attack já estava moldado, pelos membros que destacamos anteriormente. Seu primeiro single foi lançado em co-produção do duo Smith & Mighty, além de contar com a voz de Carlton McCarthy. “Any Love” foi um grande sucesso, ainda que mais localizado que as incursões seguintes.

Assim, se consolidavam dois aspectos importantes: primeiro, a experimentação com novos samples e camadas a partir do som que se desenrolava em Bristol; e, em segundo lugar, um método de composição que (herdado do Wild Bunch) permitia uma maior flexibilidade na participação dos artistas.

Novas portas seriam abertas para os membros do Massive Attack, ampliando seu reconhecimento e fazendo com que eles fossem requisitados para outros trabalhos. Um destes membros foi Robert Del Naja, o “3D”. Contatado pela cantora Neneh Cherry, ele co-produziu o single “Manchild”.

Manchild – Neneh Cherry

Neste single, já é possível notar, com facilidade, um pouco do que seria levado para o som do Massive. Note como a ponte para o refrão não se utiliza de uma escolha de notas comum e o uso de orquestração adiciona camadas um pouco mais introspectivas para uma música que, em tese, é dançante. Este, será o ponto chave do conceito do Massive Attack.

O trabalho com Neneh Cherry, aliás, foi fortuito não apenas por sua relevância musical mas também pelo auxílio que a cantora sueca deu ao início do grupo britânico. Ela ajudou na logística de gravação daquele que seria o primeiro álbum do Massive Attack. O parceiro de Cherry, Cameron McVey, foi importante na produção executiva do grupo e, por isso, foi o primeiro gerente deles.

 Com este auxílio, o Massive Attack estava pronto para pensar em todas as suas influências e lança-las sobre seu estilo de gravação. A mistura de gêneros que marcou os anos anteriores retorna aqui, com um reforço do conceito de “música dançante que mexe mais com o cérebro que com os quadris”. Nas palavras de Daddy G:

“Éramos uns idiotas preguiçosos de Bristol. Foi Neneh Cherry quem nos deu uma surra e nos colocou no estúdio… Eu ainda era DJ, mas o que tentávamos fazer era criar música dançante para a cabeça, em vez dos pés.”

Dentre artistas convidados, além de Neneh Cherry, destacam-se os vocais de Horace Andy (que se tornaria colaborador seminal do projeto) e Shara Nelson (conhecida antiga dos integrantes), bem como a participação de “Willie Wee” (companheiro dos tempos de Wild Bunch).

Em fevereiro de 1991, a história passaria a ser feita em novos patamares. Com arranjos de cordas produzidos por Will Malone nos estúdios Abbey Road, o primeiro single foi lançado, “Unfinished Sympathy”:

Unfinished Sympathy – Massive Attack

O que era aquele som? Difícil classificação. A NME (que você confere pelo site Classic Pop Magazine neste link), por exemplo, lançou uma resenha repleta de constatando a difícil classificação:

“Depois de Blue Lines, as fronteiras que separam soul, funk, reggae, house, música clássica, hip-hop e space-rock ficarão para sempre borradas.”

“Blue Lines” – Massive Attack

Com “Blue Lines”, o Massive Attack criou sua própria forma de composição, pautada na grande colaboração entre artistas de diferentes vertentes. Seus samples se utilizavam de diversas camadas, mas procuravam mesclá-las da maneira mais natural possível. Basicamente, era como se as diversas colagens sonoras não soassem desconexas, mas parte todas de um mesmo contexto.

As letras mais introspectivas também abriam espaço na sonoridade da banda, com os versos de 3D e Tricky sendo o grande destaque da tapeçaria de rap dos músicos, algo que fica evidente na música “Daydreaming”.

Daydreaming – Massive Attack

Lançado pela Circa Records (futura subsidiária da Virgin Records e, então, da EMI), o sucesso de Blue Lines gerou grande curiosidade para saber quem eram os membros por detrás daquelas composições. O público pôde conhecer um pouco melhor aquelas mentes, ainda que estivessem apenas arranhando a superfície.

Observemos os membros principais:

1. Robert “3D” Del Naja (lê-se “del naia”)– artista plástico, 3D já era conhecido na cidade de Bristol como grafiteiro antes de entrar para o ramo do rap. Fez parte da história do The Wild Bunch, o que o trouxe mais para dentro do mundo da produção musical. Nunca deixou de lado sua atividade para além da música – tendo chegado, inclusive, a conhecer o lendário Banksy, um dos nomes artísticos mais conhecidos de Bristol.

2. Grantley “Daddy G” Evan Marshall – filho de pais estrangeiros, nascido em Bristol, Marshall era figura importantíssima na cena musical de Bristol. Compondo o The Wild Bunch, ganhou ainda mais renome como DJ. Aí conheceu os companheiros com os quais fundaria o Massive Attack.

3. Andrew “Mushroom” Vowles – nascido em Bristol, também fez parte do Wild Bunch. Foi grandemente influenciado pela cultura de rua da cidade e, tornando-se conhecido por sua produção, ajudou a trazer muitas das influências musicais que formaram o Massive Attack.

4. Adrian “Tricky” Thaws – de pai jamaicano e mãe ganesa-inglesa, Tricky também é natural de Bristol. Fez parte da equipe de som Studio 17 e aos 15 anos já escrevia suas letras. Aos 17 anos, passou algum tempo na prisão por ser pego com notas falsas. Ao sair, fez parte do Wild Bunch e também do grupo Fresh 4. Bastante interessado no rap e no experimentalismo artístico, sedimentou uma carreira solo de sucesso.

Hymn Of The Big Wheel – Massive Attack

Estas eram as principais mentes por trás do Massive Attack. E seus membros ainda tinham muito mais a mostrar ao mundo.

Pondo-se À Prova (Protection – 1994)

O segundo álbum de uma banda costuma ser alvo de bastante atenção do público, seja no gênero que for. Entretanto, dada a capacidade apresentada na estreia, estava claro o Massive Attack iria decepcionar seu público. Assim, em 1994, saiu “Protection”, vindo para sedimentar a carreira destes produtores.

É de se notar, porém, a distância de três anos entre a estreia e o segundo registro de estúdio. Isto se deveu, em grande parte, à necessidade de se encontrar novos colaboradores para o álbum, uma vez que Shara Nelson e Tricky buscavam outros horizontes.

Além disso, o processo criativo da banda passou a ser ainda mais minucioso que no disco anterior. As minúcias na produção estavam evidentes para os ouvidos que, em 1992, acompanharam o lançamento da quase etérea faixa “Home Of The Whale”, parceria com a cantora escocesa Caroline Lavelle.

Home Of The Whale – Massive Attack

O ritmo de trabalho mais lento foi parte importante da forma como este disco foi concebido. Ainda que “Protection” não se diferencie enormemente de seu predecessor, sua produção já evidencia a necessidade dos membros de buscar a inovação dentro de a linguagem que eles mesmos haviam estabelecido. É possível notar isso em duas bases principais: em termos de composição, temos a aproximação maior com o jazz, por um lado; e, por outro, observamos um aprofundamento das batidas oriundas do hip-hop e do rap. Claramente, os membros do Massive Attack queriam mais.

Karmacoma – Massive Attack

Em “Karmacoma” (ainda com participação de Tricky), por exemplo, temos batidas de rap se aproximando muito mais da música indiana, um elemento que era apenas insinuado no registro anterior.

Além disso, os clipes passam a ser ainda mais elaborados que anteriormente, envolvendo complicada logística de montagem de cenários e figurino. Tudo isto para passar uma narrativa complementar ao que o conteúdo lírico do disco representa – algo que será fundamental na história da banda.

O estilo minucioso de Protection aparece de maneira mais discreta, como na economia de notas da faixa-título, que postas da forma correta, formam o espaço perfeito para a voz da parceira de composição Tracey Thorn; ou na inteligente escolha de adicionar leveza mesmo às batidas mais graves, como no caso da instrumental “Weather Storm”.

Protection – Massive Attack

Conseguindo a árdua tarefa de unir diversos estilos e uniformizá-los sob um mesmo álbum, a banda se firmava como uma força capaz de atingir níveis maiores que os ouvintes poderiam esperar. Por outro lado, isto vinha à custa de um certo deslocamento diante da cena musical, algo evidenciado nas letras mais introspectivas, como em “Eurochild”:

I Want You – Madonna ft. Massive Attack

Foi assim, que o Massive Attack conseguiu as gravações de Madonna e, em Bristol, seus membros trabalharam na produção da faixa que encantou a cantora e foi muito bem recebida pela crítica.

O New York Daily News, por exemplo, escreveu:

“Madonna nunca soou tão bem quanto neste cover da faixa ‘I Want You’, de Marvin Gaye”.

A banda, agora, tinha em seu núcleo três membros: 3D, Daddy G e Mushroom. Apesar do sucesso, nenhum deles estava satisfeito com a forma como sua música era enxergada.

Os próximos passos seriam meticulosos e repletos de conflito, mas eram inevitáveis diante da necessidade dos músicos de ir além de rótulos. Eles queriam, novamente, chacoalhar os limites de sua arte. E acertariam em cheio.

Indo Além (Mezzanine – 1998)

Em 1998, a Inglaterra parecia retomar alguns comportamentos minimamente civilizatórios. Houve avanços na paz com a Irlanda do Norte e a ascenção de Tony Blair vinha acompanhada de otimismo econômico.

Entretanto, certo cinismo pairava nas periferias das grandes cidades britânicas, algo que sempre ocorre com as populações acostumadas à opressão estatal, à vigilância. Ainda estavam lá os elementos para uma visão mais obscura do contexto social. A sociedade não era homogênea como o sorriso do primeiro-ministro fazia parecer. Havia diversas rachaduras.

Também em estúdio, para o Massive Attack estas rachaduras apareceriam. Surgiriam, na música, como algo mais como algo mais sombrio e, na jornada de seus membros, como um período conturbado de convivência criativa. Era neste clima que eles entravam em estúdio para gestar outra revolução sonora.

Risingson – Massive Attack

Um ano antes, em 1997, o grupo lançava o single “Risingson”, mostrando sua nova busca sonora. Isto vinha, entretanto, com fortes diferenças criativas representadas basicamente por dois polos: de um lado, 3D tentava levar o grupo para novos experimentos sonoros, para além do rap e do hip-hop, objetivamente contrariando o rótulo trip-hop, que fora utilizado para a banda. Por outro lado, Mushroom desejava uma maior experimentação justamente nestes estilos que tinham sido parte da fundação sonora do Massive Attack.

O conflito em estúdio estava estabelecido. Daddy G, durante muitas ocasiões serviu como intermediador, embora estivesse mais alinhado com a proposta de 3D. Além do mais, um novo e importantíssimo colaborador entrava em cena: Neil Davidge era conhecedor do som do “som de Bristol” e tinha conhecido o restante do grupo por meio de Mushroom. Foi em Mezzanine que que Davidge surgiu como produtor, ajudando a moldar o som da banda de uma forma mais espacial que antes.

Neil Davidge.

“Risingson” claramente era um single mais sombrio que lançamentos anteriores. Entretanto, ainda mantinha os elementos pelos quais o conjunto era conhecido. Estes traços, entretanto, começavam a ficar mais difusos e a linha entre gêneros começava a se confundir: o uso de samples e instrumentos reais vindos do rock iam de encontro ao scratch e ao rapping.

As mentes dos integrantes estavam a todo vapor, na busca por expansão sonora. E suas personalidades, com frequência entravam em conflito. Uma das faixas mais famosas do álbum, foi construída justamente no meio deste ambiente. Ainda assim, surgiu para o mundo como uma das mais belas peças do mundo musical de fronteiras borradas:

Teardrop – Massive Attack (feat. Elizabeth Fraser)

O som de um plug de guitarra, um sample seco e ligeiramente acelerado dá um tom sério à faixa, unindo-se a um baixo quase imperceptível – proposital para ser ouvido em som alto. Logo, o cravo aparece, indicando a modificação de cenário e o piano completa a melodia com três notas fortes – duas mais altas e uma mais grave. Tudo é ambíguo até aí, o ouvinte não sabe o que virá. Até que entra o registro único de Elizabeth Fraser, cantando, bem próxima ao microfone, sua letra enigmática de um eu-lírico que tenta, entre lágrimas, juntar as peças do quebra-cabeças que se chama de amor.

Se não temos espaço para contar a história que envolve todo este disco, ao menos podemos dar um pouco foco para os conhecidos fatos que envolvem esta, que se tornou uma das mais icônicas faixas dos anos 90.

“Teardrop” foi concebida a partir, principalmente, das ideias de Mushroom. Ele, entretanto, tinha em mente um direcionamento para a faixa que divergia completamente do que os outros membros pensavam. O exemplo mais claro disto está na escolha de vocalista que Mushroom teria feito. Ninguém mais, ninguém menos que Madonna – com quem eles já haviam trabalhado. Mushroom chegou a mandar um convite para Madonna, planejando que a cantora norte-americana fizesse parte do projeto. Isso, na verdade, quase aconteceu.

Elizabeth Fraser, escolhida para participar de “Mezzanine”.

Entretanto, a natureza democrática do Massive Attack – herdada do Wild Bunch – foi cruel com a ideia original da composição. Os membros do conjunto brigaram pelos takes e também pela voz que deveria estar em estúdio. Elizabeth Fraser, acabou sendo a escolhida para este papel, deixando Madonna como uma possibilidade eterna na mente de quem conheceu os fatos na época.

A lendária vocalista, que ficara conhecida por seu trabalho com o Cocteau Twins, tinha se mudado para Bristol, o que facilitaria as coisas. Mas a entrada de “Lis” Fraser viria acompanhada, ainda, de inesperada um acontecimento inesperado e trágico.

Anos antes, Elizabeth tivera um relacionamento com o seminal cantor Jeff Buckley (filho do igualmente importante Scott Buckley), um período descrito como muito carinhoso e íntimo – que rende, inclusive, uma importante colaboração musical. Entretanto, em 1997, Buckley viria a falecer, enquanto nadava em um rio, praticando um de seus hobbies.

Foi durante as gravações de “Teardrop”, que Fraser recebeu a notícia do falecimento de uma pessoa tão querida. Tendo em mãos a letra que, por inspiração do filósofo francês Gaston Bachelard, tinha sido composta para a faixa, Lis Fraser, mais tarde, viria a refletir sobre a trágica coincidência que ressignificou sua arte:

“Foi muito estranho… Eu tinha enviado cartas e estava pensando nele. Essa música é meio que sobre ele — pelo menos é assim que me sinto”.

Jeff Buckley e Elizabeth Fraser (imagem ilustrativa de Far Out Magazine)

Com Mezannine, portanto, o Massive Attack apontava para novas direções. Até mesmo em suas canções liricamente mais “leves”, uma atmosfera diferente toma conta, como ocorre na excelente “Angel”, cantada por Horace Andy e inspirada em uma de suas composições.

Angel – Massive Attack

O processo de criação de Mezzanine foi bastante estressante e resultou numa reconfiguração dos membros do coletivo. Mushroom não faria mais parte do projeto e Daddy G tomaria um período longo de hiato, embora ainda mantivesse contato com os integrantes remanescentes.

Caberia, principalmente a 3D e Neil Davidge o prosseguimento com o som do Massive Attack. Não havia retorno. O caminho, agora, seria mais experimental e ainda mais vanguardista musicalmente.

Continuidade em Rupturas (100th Window – 2003)

Em 2002, o Massive Attack fez parte da trilha sonora do filme Blade II, com a faixa “I Against I”, em parceria com o rapper norte-americano Mos Def:

> I Against I – Massive Attack (feat. Mos Def)

Os novos nomes influenciados pelo som sintetizado no Massive Attack se espalhavam pelo mundo. Só no Reino Unido, podemos contar o Portishead, o Radiohead e o Gorillaz. Entretanto, o olhar de 3D e Neil Davidge continuavam olhando para frente, na intenção de seguir buscando novas formas de expressão.

O trabalho com texturas sonoras feito anteriormente, agora ganharia um lado mais orgânico. Assim, os scratches e samples teriam sua presença diminuída no som do projeto. Embora outros elementos seguissem.

A produção, por seu turno, passaria a ser ainda mais meticulosa, buscando empregar precisamente o que se passava na mente dos envolvidos. Como consequência disso, os resultados de diversos ensaios foram descartados até que se chegasse ao objetivo final.

Nestas mudanças de rumo que o grupo e a sua música iam tomando, também o mundo seguia por novos acontecimentos de grande vulto. Um deles foram os ataques do 11 de Setembro, nos Estados Unidos. As tensões no globo se ampliavam à medida que o grande império sentia-se justificado para revidar os ataques sofridos – ainda que este discurso fosse instrumentalizado para outros fins.

Eram tempos difíceis, interna e externamente. Ainda assim, o Massive Attack conseguiu unir forças para lançar um novo trabalho e empurrar sua carreira em novas direções: em 2003, era lançado “100th Window”.

Future Proof – Massive Attack

O disco abre com a faixa “Future Proof”, uma faixa suavemente angustiante, que nos coloca diante do que parecem ser os pensamentos de um eu-lírico paranoico com os acontecimentos recentes.

As viagens que interconectavam países tinham mudado completamente após os ataques do 11 de Setembro. E as relações sociais de 3D também passavam por mudanças importantes. Isto se reflete, por exemplo, nos nomes que colaboraram com 100th Window.

Horace Andy, a voz seminal do reggae em apresentação recente com os parceiros de longa-data do Massive Attack.

Basicamente, além de 3D – que deixa sua voz sussurrada ganhar mais espaço –, temos outros dois vocalistas convidados: Sinéad O’Connor e Horace Andy. É um enxugamento bastante grande se pararmos para pensar em todos os colaboradores que haviam passado pelo projeto até aquele momento.

Este fator, porém, não fez com que o disco perdesse sua diversidade. Mesmo dentro do tom mais sóbrio que era assumido, cada músico convidado pôde adicionar seu talento à receita preparada pelos produtores.

Sinnéad O’ Connor, importante participante de “100th Window”

Sinéad O’ Connor, por exemplo, mundialmente conhecida por seus hits na carreira solo, possui aqui algumas de suas mais impressionantes performances vocais. É em sua voz que surge uma das faixas mais esperançosas – e melodicamente desconcertantes – do álbum: “What Your Soul Sings”.

What Your Soul Sings – Massive Attack (feat. Sinéad O’ Connor)

A produção consegue também extrair ainda mais camadas dos vocais do colaborador de longa-data, Horace Andy. Sua voz aparece, no disco, como algo calmo, mas ainda assim ritualístico. Em suma, a voz de Horace se faz completamente hipnótica, dominando as melodias, enquanto os outros instrumentos mostram maior foco na criação de texturas quase espaciais.

Everywhen – Massive Attack (feat. Horace Andy)

Todas as canções do disco correm da mesma maneira, um só clima é preparado para nós do início ao fim e vai envolvendo nossos ouvidos. 100th Window se torna, assim, apesar de pouco comentado mesmo por fãs, um primor de produção sutil, bastante apoiada na compressão e em texturas de ruído.

Uma produção que consegue utilizar elementos modernos (como diversos instrumentais que parecem toques de celular) para nos transmitir mensagens sobre os tempos soturnos em que vivemos: sequestros infantis, guerras, vigilância são parte do álbum. Mas também o amor e a busca por algo maior que nós, que possa proteger aos nossos diante dos diversos problemas.

Este álbum marcou a continuidade do Massive Attack como um projeto diferente de tudo, inclusive de si mesmos. E manteve viva a chama para novas jornadas e celebrados retornos.

Outras Incursões (trilhas sonoras: Danny The Dog – 2004 e Bullet Boy – 2005)

Em 2003, a voz de 3D tornou-se crítica ferrenha à entrada do Reino Unido na Guerra do Iraque. “Coincidentemente” (ou não), sendo investigado por autoridades de segurança, que o acusaram de crimes hediondos. Entretanto, a própria polícia admitiria não ter provas (conforme revela esta matéria do The Guardian: neste link, em inglês).

Isto, entretanto, não calou sua voz, uma vez que ele permaneceu como parte importante da Stop The War Coalition (“Coalizão Pare A Guerra”, que, inclusive, teve Brian Eno, outro nome seminal da música britânica, como presidente). Em conversa com um repórter do The Guardian (neste link, em inglês), Del Naja reflete sobre como a capa do álbum – com um figura humana de vidro sendo alvejada – representava sua percepção de vida.

“Isto é perfeito, agora, toda a noção de fragilidade humana, vendo minha vida inteira se despedaçar da mesma forma este ano – preparada e depois destruída”.

Ele comenta, ainda, sobre o videoclipe de Butterfly Caught, em que é retratado estando preso numa sala, enquanto se transforma numa mariposa – que, em inglês é conhecida pela alcunha “Death’s-head hawkmoth”, algo como “mariposa da cabeça da morte”:

“Não foi algo proposital, foi a visão do diretor. Mas é outra profecia auto-realizada, não é? Eu não vou me martirizar sobre o que aconteceu neste ano […]”

Prosseguir foi justamente o que ele fez, indo de encontro a diversas formas de apresentar sua arte ao mundo. Seguindo numa direção já esperada para o seu trabalho recente, 3D, em conjunto com Neil Davidge, trabalhou na produção de trilhas sonoras, entre 2003 e 2004. Duas destas trilhas saíram sob a marca do Massive Attack: uma para o filme Danny, The Dog (conhecido no Brasil como “Cão de Briga”) e Bullet Boy.

Bullet Boy (Vox) – Massive Attack

Além disso, no ano de 2006, junto da compilação de singles Collected, foi lançada a inédita “Live With me”, em parceria com o cantor estadunidense de soul Terry Callier. O single foi celebrado como um retorno às origens do som do Massive Attack.  Evidentemente, esta é percepção dos críticos é bastante influenciada pela imagem causada pelo álbum de 2003, mas o fato é que as “raízes” da banda não tinham sido abandonadas. Apenas se expandiam.

Por volta desta mesma época, Daddy G começou seu retorno aos estúdios, embora muito deste material não tenha visto a luz do dia. A decisão da banda foi dividir-se, então, em dois núcleos, com G passando a trabalhar em outro estúdio.

Disto resultaria um disco ainda mais diverso do que tudo o que havia sido feito pela banda.

Inquestionável (Heligoland – 2010)

3D Del Naja e Neil Davidge ainda participaram de outros projetos. E o Massive Attack passou a se engajar ainda mais com outras causas, como a urgência da questão climática e do genocídio Palestino – que, infelizmente, ainda está em curso na data deste deste artigo.

Fizeram parte, ainda, da curadoria de festivais pela Inglaterra – retomando, de certa forma, as tradições dos tempos de The Wild Bunch.

Neste meio tempo, um dos importantes contatos da banda foi com Damon Albarn, o conhecido membro do Blur e criador do Gorillaz  – que já havia feito uma parceria com a banda em 100th Window. 3D, Daddy G e Albarn realizaram improvisações e escreveram ideias juntos. Isto viria a resultar numa faixas mais interessantes do álbum vindouro.

Além disso, foram recrutadas outras parcerias de peso, como a excelente cantora Martina Topley-Bird e a frontwoman do Mazzy Star, Hope Sandoval, dentre diversos outros nomes.

Imagem ilustrativa do material interno preparado para o álbum “Heligoland”.

Os trabalhos em separado em nada desfizeram a grandeza do disco que estava sendo meticulosamente preparado. Com título inspirado num arquipélago localizado na Alemanha, Heligoland foi lançado em 2009, chamando grande atenção do público e da mídia especializada.

Psyche – Massive Attack (feat. Martina Topley-Bird)

“Psyche” foi o primeiro single do álbum e evidenciava, com seu uso extensivo de violões, o direcionamento inédito que a banda almejava. Em Heligoland, cada faixa aparece como um episódio, como um universo auto-contido que tem absolutamente tudo a nos mostrar.

Paradise Circus – Massive Attack (feat. Hope Sandoval)

Os vocais de Sandoval, já conhecidos por seu estilo calmo e peremptório fica completamente à vontade diante das texturas criadas pelo grupo. É relevante de se notar, também, que o instrumental, seguindo uma linha mais orgânica e menos eletrônica, segue forte. Entretanto, toda a harmonia surge com uma complexidade ainda maior que a apresentada nos trabalhos anteriores.

O complexo, porém, não foge de melodias carismáticas e toda a produção, limpa como é, marca, com facilidade, as composições na mente do ouvinte. Há muitas razões de destaque neste álbum, incluindo a genial reelaboração da faixa “Girl I Love You”,de Horace Andy. Entretanto, como nosso espaço é limitado, nosso destaque vai para a genial participação de Damon Albarn no álbum, em uma das canções mais tocantes do Massive Attack:

Saturday Come Slow – Massive Attack (feat. Damon Albarn)

“Saturday Come Slow” foi acompanhada também de um clipe (intitulado, no YouTube da banda com a ligeira diferença do “Comes” no título), no qual um ex-detento de Guantánamo, um polêmico complexo prisional norte-americano em solo cubano, conta sua experiência ao sofrer com torturas relacionadas ao uso de música em volume extremamente alto.  

Esta prática usada para causar distúrbios nos prisioneiros foi combatida por diversos artistas e, na época do lançamento de Heligoland, o Massive Attack somou-se à campanha “Zero DB” (zero decibéis, que você pode conhecer melhor nesta matéria da Rolling Stone: neste link) para pressionar as autoridades norte-americanas pelo fechamento do complexo.

Infelizmente, esse fechamento não ocorreu (e, atualmente, faz parte das manobras políticas de Trump, conforme você pode conferir neste link, em matéria da CNN), mas as discussões geradas conseguiram reduzir, naquele momento, bastante das denúncias de torturas e excessos cometidos, além de contribuir para a transferência de presos a outras unidades, para um julgamento mais apurado.

Saturday Comes Slow – Massive Attack (em inglês, sem legendas)

Além disso, o álbum em si esteve envolvido em polêmica na Grã-Bretanha por conta da censura que sofreu por parte do TfL (Transports for London, órgão governamental para os transportes, conhecido por gerir o London Underground). O órgão, utilizando a bizarra justificativa de que as artes promocionais do álbum pareciam “grafite”, retirou o material de seus espaços. A respeito disso, Daddy G declarou em entrevista ao Pop Matters (neste link, em inglês, por Alistair Dickinson):

“Nós celebramos alguém como Banksy, sabe, alguém antes que era um vilão. Mas eles não publicam a capa de Heligoland, porque dizem que é grafite, então a proibiram. É uma situação bastante irônica.”

Os materiais de divulgação acabaram tendo de ser modificados para a utilização nestas vias públicas.

E, apesar das polêmicas, o álbum foi um incrível sucesso, ajudando a concretizar a reputação do Massive Attack como um dos nomes mais importantes da música britânica.

O reconhecimento da comunidade musical, aliás, tinha aparecido um ano antes, com o prêmio entregue no Ivor Novello Award, em que o PRS (órgão que lida com direitos autorais e gerenciamento musical), reconheceu por votação a grande contribuição do Massive Attack para esta forma artística. Nas palavras de Daddy G, ainda na mesma entrevista do Pop Matters:

3D e Daddy G no “Ivors”.

“Foi meio engraçado para nós recebermos isso”, explica G, “porque parecia que tínhamos sido convidados para a fraternidade musical. E é meio irônico porque não viemos desse meio […]. [O que fazíamos] era a antítese do que acontecia em Bristol. Então, as pessoas meio que desprezavam gente como nós, que éramos os músicos ‘de mentira’, sabe?”

O sucesso de Heligoland manteve a relevância da banda intacta, mesmo após tantos anos. E isso alimentaria ainda mais seu ímpeto criativo.

Velhos Novos Caminhos (Ritual Spirit – 2016)

Mais alguns anos se passaram até que o Massive Attack mostrasse ao mundo suas novas ideias de estúdio. Isto ocorreu com o lançamento do EP Ritual Spirit em 2016. O material foi precedido, em uma semana, pelo lançamento de um aplicativo de iPhone que permitia que os usuários remixassem músicas do projeto utilizando informações como batidas do coração e localização.

A inovação na área tecnológica espelhava a musical, ainda que a banda um retorno forte de elementos há muito esperados, sendo o principal deles o rapping.

Voodoo In My Blood – Massive Attack (feat. Young Fathers)

O registro apresentava um som mais obscuro que os registros anteriores e, sonoramente, se utilizava de uma proposta interessante em algumas de suas faixas: utilizar-se de elementos exteriores ao hip-hop para fazer uma música próxima a este estilo. E isto foi alcançado com maestria, resultando numa ausência de scratches e beatmatching que, ainda assim, chegou a um som bastante original.

Um dos destaques do disco vai para a parceria renovada entre a banda e Tricky, o antigo membro que buscou uma carreira solo de sucesso. A faixa “Take it There” expôs uma genial fusão entre rimas rápidas e batidas bastante graves e o universo de guitarras e das orquestrações em ascendente – que lembra bastante a clássica composição “A Day In The Life”, dos Beatles, em seus momentos finais.

Take it There – Massive Attack

Ainda em 2016, num EP com maior envolvimento de Daddy G, o Massive Attack lançou duas canções bastante climáticas. A primeira, “The Spoils”, que dá nome ao EP, é uma canção de dor romântica bastante tranquilizadora. O feeling na voz de Hope Sandoval é palpável e a peça serve como um retorno ao espaço mais tranquilo que inicialmente fez parte da história do projeto.

Entretanto, é para a segunda faixa e seu videoclipe que nosso destaque se dirige. “Come Near Me” é uma composição bastante soturna. Sua letra retrata sentimentos ambíguos de um eu-lírico que pode, muito bem, ser um herói ou um vilão, mas, com certeza, retornará. A melodia, entretanto, diz muito mais que a letra, tornando essa faixa uma verdadeira fonte de inquietação. Um estranho terror é sugerido, por meio, principalmente de tonalidades descendentes e um baixo em menor volume, mas extremamente grave.

Come Near Me – Massive Attack (feat. Ghostpoet)

A voz de Ghospoet, em suas rimas, não faz questão de ficar completamente rente ao tom. Ao contrário, faz incursões sombrias antes de voltar para a tonalidade principal da canção, como em repetidos mergulhos e subidas ao submundo dos sentimentos humanos.

Quatro anos depois, esta seria a tonalidade não apenas de algumas pessoas, mas de toda a humanidade. E a música do Massive Attack retornaria deste hiato com uma mensagem direta para todos os ouvintes.

Ainda Há Muito A Se Dizer (Eutopia – 2020)

Gravado durante o período pandêmico, Eutopia foi fortemente influenciado pela obra A Utopia (obra do escritor, filósofo e santo católico (!), Thomas More).

Sendo propagado principalmente como um produto de vídeo, o registro possui três faixas e colaboração de diversos artistas, como o cineasta Mark Donne, o artista Mario Klingemann (pioneiro na arte com I.A.), além de vocalistas do Algiers, do Young Fathers e o poeta norte-americano Saul Williams.

As faixas servem de acompanhamento para a mensagem principal, dividida em três tópicos, com títulos auto-explicativos:

  1. #CLIMATEEMERGENCY (“Emergência Climática”,com narração de Chirstiana Figueres)
  2. #TAXHAVENS (“Taxação de Lucros”, com narração de Gabriel Zucman)
  3. #UNIVERSALBASICINCOME (“Renda Básica Universal”, com narração de Guy Standing)

Todas as narrações dos estudiosos, pela relevância de seus temas, evidentemente, poderiam servir como destaque nosso. Entretanto, destaco aqui uma faixa que, tanto pelo texto quanto pela produção evidenciam bem a capacidade da banda (principalmente 3D, que capitaneou o projeto) em criar música de discursos de forma bastante convincente – uma das melhores heranças do rap. “#TAXHAVENS”, algo importante tanto no “primeiro mundo”, quanto nos países dominados:

#TAXHAVENS – Massive Attack x Saul Williams

O Mundo em Bristol

Até o presente momento, o Massive Attack segue fazendo shows ao redor do mundo – o que incluiu, a propósito, uma data realizada no Brasil (que você confere neste link) –, espalhando sua mensagem de comunhão entre seres humanos.

Embora muitas de suas músicas sejam tratadas como intricadas e abstratas demais, a verdade é que eles possuem um universo enorme para oferecer e isto pode causar certa estranheza num primeiro momento.

Todavia, não há problema, pois por qualquer porta que se entre, o ouvinte sempre se sentirá bem-vindo. Este é o mérito de músicos que, em suas mais de três décadas de atividade, conseguiram utilizar-se da raíz de sua cidade para ganhar novas audiências para além de fronteiras.

Para os compositores do Massive Attack, Bristol é um verdadeiro mundo e o mundo cabe na palma de suas mãos.

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